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O ciúme do espírito depois da morte

24 de de 2010, 04h37

 


Por ser um espírito que ainda está preso à Terra, Daniel (Jayme Matarazzo) conserva as emoções dos seres vivos. A sua paixão por Viviane (Nathalia Dill), que mal conheceu antes do acidente de carro que lhe tirou a vida, cresceu depois de sua morte. Nem o seu Anjo da Guarda, Seth (Alexandre Rodrigues), tem poderes para evitar que cometa os erros praticados na outra encarnação.

Os limites do anjo

O Anjo da Guarda aconselha, avisa, alerta, ajuda, mas não tem o poder de interferir no livre arbítrio do seu protegido. Deve ser torturante para um espírito de luz, como é o caso do Anjo da Guarda, antever o fracasso de sua missão terrestre.

Em Escrito nas Estrelas, onde a relação entre Seth e Daniel tem uma conotação humorística, o Anjo somente interfere quando Daniel quer (como se ainda estivesse vivo) interferir na conduta das pessoas. Lá no plano astral, a despeito dos conselhos do seu mentor espiritual, Athael (Carlos Vereza), Daniel não consegue deixar de agir como um ser humano.

Quando o sonho não é sonho

Já ficou claro que o sonho recorrente do cético doutor Ricardo (Humberto Martins), não é como diria o agnóstico doutor Freud, apenas um sonho. Nem a visão da morte no duelo é a projeção, numa transfiguração simbólica, de medo da morte. Não. O sonho de Ricardo é uma evocação do que lhe aconteceu em Toledo, Espanha, em outra encarnação.

À luz do espiritismo, “aqui se faz, aqui se paga”. É uma regra imutável da Justiça Divina. O que se pergunta, com frequência é: por que fulano fez isso, é aquilo, e continha bem de vida? A explicação (rejeitada pelos católicos) é que a punição da maldade não se limita a presente vida.

O que se fez errado será pago em uma ou mais encarnações. Não será o perdão de um padre ou o arrependimento na hora da morte que abrirá as portas do palácio de São Pedro para os discípulos de Satã.

Os reencontros da reencarnação

Por causa do véu do esquecimento, o individuo não se lembra de que já conviveu com determinada pessoa em outra encarnação. Às vezes, e sem saber por que, simpatiza ou antipatiza com quem jamais havia visto. São lampejos de memória da convivência em outra encarnação.

A medida que a narrativa de Escrito nas Estrelas foi avançando, ficamos sabendo que Ricardo está reencontrando pessoas com quem conviveu na encarnação espanhola. O seu círculo familiar é o mesmo. E no conflito espiritual que se avizinha Viviane possivelmente será, novamente, quem provocará a discórdia entre pai e filho.

O ciúme de Daniel poderá ser a sua perdição espiritual.
 


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